Substituição do CDI

14 02 2009

 

Como nos automóveis, o CDI também precisa de manutenção. Após 6 anos, 9 meses e 4 dias de trabalho árduo, chegou a hora de o substituir. Foi a meio de Dezembro que o CDI começou a dar o sinal de alerta, emitindo um pequeno som. Repetia-o todas as 8 horas. Embora já me estivesse a preparar desde o início do ano passado, uma vez que a capacidade da bateria já estaria no seu mínimo, como não houve nenhum episódio, esta ainda teve autonomia para mais de 6 meses.

Nas consultas iam dizendo que o meu CDI estava a superar as expectativas, uma vez que as previsões apontavam para cerca de 5 anos de duração da bateria. Os novos CDI’s, para além de já terem outras funcionalidades, como poder enviar relatórios para o Médico via wireless, têm uma autonomia superior comprovada de 9 anos. 

Chegado o dia “D”, confesso que já me estava a deixar dominar por alguma ansiedade.

Como se trata de uma cirurgia, a última refeição deve ser tomada cerca de 6 horas antes. No total estive quase 15 horas. Devido a alguns atrasos de manhã no hospital, em vez de ir para a sala da cirurgia ás 13:00, entrei somente ás 19:00.

Entretanto, antes, pediram-me fazer o exame TILT, (uma espécie de teste à resistência ao desmaio). O resultado foi negativo, não desmaiei, mas foi um exame muito chato. Durou quase 1 hora.  

Às 19:00, já dentro da sala da cirurgia, estava um frio de rachar. Não sei se era real, ou se apenas a amiga ansiedade. Pedi para estar acordado durante a cirurgia, porque queria saber como iria ser feito.

Após aplicar a anestesia local, poucos minutos mais tarde começam a cirurgia. O CDI anterior, ficou tão bem colocado em 2002, que demoraram quase 1 hora para o remover, quando são normalmente são 15 minutos.

Tinham dado toda a anestesia possível, mas mesmo assim foi muito doloroso. Estava sendo muito difícil remover o CDI, porque quando o colocaram, os “cabos” ficaram unidos ao músculo para evitar que estes se movessem. Para evitar danificar as ligações e para evitar fazer um corte maior, foi preciso uma grande ginástica, que me causava muita dor e incómodo.

Terminou tudo ás 21:00. O CDI novo é ligeiramente maior mas mais fino.

No final, todos concordaram que foi muito difícil, e que não é normal para ser tão duro. Após quase 15 horas sem comer, tive umas pequenas tonturas lá na sala. Normal. Apesar de tudo, foram uma equipe magnífica. Mesmo fazendo-me sofrer. No final, pedi o CDI para recordação

Pelas 22:00, finalmente tive uma refeição.

O novo CDI vai permitir, a partir do 2ºsemestre deste ano, enviar via wireless o registo de eventos utilizando para um pequeno aparelho que se liga à linha telefónica. Assim o médico pode ter acesso em tempo real aos registos do CDI, e pode inclusive, reprograma-lo se necessário. O Amigo Josiel do Brasil, está mais evoluído, o seu CDI já funciona com a tecnologia GSM.

 

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2 responses

9 09 2010
Manuela

Ainda bem que tudo terminou em bem.Já o meu pai não teve tanta “sorte”,a operação para colocação do cdi,que deveria levar no maximo duas semanas a ser colocado,acabou por levar quase três meses.Com idas ao hospital,com varios pedidos pois era um caso grave,com varios telefonemas…Até os papeis(fax) que foram enviados do hospital para o Santa Cruz,desapareceram…tinham sido enviados para outro numero de fax.Tive que ser eu a arranjar o numero de fax correcto e ir ao hospital para os enviar para o Santa cruz…tudo isto levou mt tempo e tempo nós n tinhamos ….acabou por acontecer o que eu temia e o que o medico estava farto de dizer (que era um caso mt grave e que o meu pai podia morrer a qualquer minuto)e foi o que aconteceu dia 26 de Agosto faleceu de madrugada…. e nesse mesmo dia por volta das 10h ,11h telefonam do Santa cruz …para o meu pai ser operado!!!!Temos a dor por morrer alguem que amava-mos ,mas a revolta é maior por sabermos que morreu porque o deixaram morrer !!!
Espero que tenha mt saúde pelo resto da vida e que tenha o que todos nós merecemos que é ou são os cuidados medicos a que temos direito!!!

14 09 2010
Catherine Fraga

Boa tarde Manuela,

O meu nome é Catherine Fraga e sou jornalista do programa “As Tardes da Júlia”, apresentado diariamente na TVI. Estou a fazer uma pesquisa sobre o síndrome de Burgada e não pude deixar de ver o seu comentário… Gostaria de falar consigo e tentar perceber o que se passou! Agradecia que me enviasse o seu contacto para o meu email: cfraga@tardesdajulia.com

Lamento a sua perda e a sua dor,

Com os melhores cumprimentos,
Catherine Fraga

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