Na conversa com Dr. Daniel Bonhorst

12 04 2009

 

Na continuidade de recolha e partilha de informações e esclarecimentos relacionadas com o sindroma de Brugada, coloquei algumas questões ao Dr Daniel Bonhorst, presidente do IPRC.

 

O assunto não é tabu, mas o desconhecimento ainda impera, o que levou a que algumas questões não tivessem uma resposta directa e concreta, como seria desejado.

 

Um dos pontos da nossa conversa passou por saber o número de pessoas em Portugal com síndrome de Brugada:

A resposta foi: “… ninguém sabe qual o número de pessoas em Portugal com síndrome de Brugada. Não só a situação não é ainda suficientemente conhecida pelos clínicos para as referenciarem a centros especializados como estes não têm reportado os casos que seguem e tratam. Não há estudos epidemiológicos nem estatísticas oficiais.”

 

Quanto às formas de tratamento, “… o único eficaz é o CDI, girando toda a discussão entre os especialistas sobre quais os casos em que está indicado. O grande problema são os indivíduos que têm o ECG típico mas nunca tiveram sintomas. A atitude mais comum é não fazer tratamento a não ser que haja casos de morte súbita em familiares próximos. Os estudos genéticos podem ajudar mas têm limitações.”

 

E a Quinidina? “… alguns estudos mostraram que a quinidina pode prevenir eficazmente a indução de fibrilhação ventricular e poderá também suprimir as arritmias espontâneas, podendo vir a ser uma alternativa ao CDI numa determinada proporção de doentes com S. de Brugada. Faltam no entanto mais estudos, nomeadamente comparativos com o CDI .”

 

Falando acerca do método de diagnóstico, este “… baseia-se num padrão típico electrocardiográfico que por vezes não está presente tendo de ser desmascarado com a utilização de drogas injectáveis (ajmalina ou flecainide). Os outros passos diagnósticos destinam-se a avaliar o risco (sintomas como síncope, antecedentes de taquicardias ventriculares ou episódios anteriores de paragem cardíaca ressuscitada; estudo electrofisiológico para se verificar se é possível induzir uma taquicardia, estudos genéticos).

 

Baseando-se o diagnóstico no ECG é evidente que o rastreio da doença deverá ser feito através da realização desse exame a populações o mais vastas possíveis. O rastreio é obrigatório em familiares de doentes com Brugada.”

 

Em nome de todos os utilizadores deste blog, quero agradecer ao Dr Daniel Bonhorst, o tempo que dedicou a responder às questões e o apoio dado na revisão do artigo sobre sindrome de Brugada.

 

Dr Daniel Bonhorst

  

 

Dr Daniel Bonhorst.

Especialista em cardiologia. Presidente do Instituto Português do Ritmo Cardíaco desde Março 2005. Foi presidente da Associação Portuguesa de Arritmologia Pacing e Electrofisiologia (APAPE) no biénio de 2001-2003.

 

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