Síndrome de Brugada diagnosticado em bebé de 8 meses

9 11 2010
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Os meios de diagnóstico, as consultas regulares, exames médicos, têm o seu valor, mas no caso particular da Síndrome de Brugada, a sorte ou uma decisão rápida podem ser a diferença entre estar-se por cá para contar a história, ou ser-se mais uma linha na longa lista de óbitos por morte súbita.

Tal teria sido o fim desta história, não fosse a coragem e a rápida decisão desta mãe.

Fonte: Gazeta do povo

“Uma segunda chance para Theo

Bebé de 8 meses é o mais jovem paciente do Brasil a receber marcapasso com desfibrilador. O procedimento foi feito em Curitiba

Na manhã de 25 de setembro, Karla Schulze Torres colocava o filho Theo, com 8 meses, no berço para uma soneca. Agitado, ele reclamava de forma diferente quando, de repente, pareceu morto no colo da mãe: os olhos e a boca abertos, sem respiração, sem pulso. O impulso fez Karla subir as escadas do prédio com Theo no colo, gritando com toda força. “Na minha cabeça, alguém ia salvar meu filho.” Com a memória de que na cobertura morava uma médica, esmurrou e chutou a porta do apartamento, até que se abriu e começaram mais minutos de tensão. Duas médicas fizeram a reanimação de Theo, com respiração boca-a-boca e massagem cardíaca. Em cinco minutos, o bebê acordou, mas com batimentos insuficientes. Em 15 minutos, a consciência dele voltou. “Foi o melhor choro da minha vida”, conta Karla.

Segundo a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac), a chance de Theo sobreviver da morte súbita diminuía em 10% a cada minuto. “A reanimação foi perfeita e não deixou lesões cerebrais”, explica Lânia Romanzin Xavier, eletrofisiologista pediátrica do Hospital Pequeno Príncipe (HPP), onde Theo foi internado. Após uma série de exames cardiológicos inconclusivos, o bebê foi, por fim, diagnosticado com uma arritmia cardíaca grave. De origem genética, esse tipo de síndrome provoca episódios, frequentemente fatais, de fibrilação ventricular, uma espécie de parada cardíaca em que o coração atinge mais de 500 batimentos por minuto. Milhões de impulsos elétricos circulam pelo coração que não consegue se organizar para bater no ritmo, e não bombeia mais o sangue, ocasionando desmaio e, se não houver reanimação, é fatal em poucos minutos.

Karla e Theo: “Quando ele voltou à consciência, foi o melhor choro da minha vida”

 

No dia 18 de outubro, após novo episódio de morte súbita abortada no HPP, Theo se submeteu a uma cirurgia, tornando-se a criança mais jovem do Brasil a portar marcapasso com desfibrilador, aparelho que lhe possibilitará vida normal, incluindo a prática de esportes. “Só não vai poder se piloto de avião”, brinca Karla. “Funciona como uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel dentro da criança com o melhor médico, a melhor equipe, o melhor desfibrilador”, explica Lânia. Na ocorrência de um novo episódio de arritmia, Theo vai desmaiar, o aparelho vai acionar testes e, após oito segundos, descarregará um choque dentro do coração – um tempo curto para deixar qualquer sequela. As chances de reanimação com o aparelho passam de 99%.

Satisfeita com a cirurgia, Karla considera que agora é o momento de ficar tranquila. “Sempre dou uma espiada nele dormindo, mas não é mais com pavor de que ele possa ter uma parada cardíaca. Vai ser difícil quando ele tiver uma crise, mas vou ter que me controlar”, comenta.

Técnica de implante foi desenvolvida no Paraná

Desde 2003, o Centro de Eletrofisiologia Pediátrica do Hospital Pequeno Príncipe (HPP), único do país, implanta aparelhos similares ao de Theo, em crianças de todo o país. Neste período, 32 procedimentos foram feitos e a técnica sofreu avanços. A equipe da ele­­­trofisiologista pediátrica Lânia Romanzin Xavier, que inclui os cardiologistas Leo­­­nardo Mulinari e Wanderley Sa­­­­­violo Ferreira, passou dois anos buscando um modo de melhorar a qualidade de vida e o resultado estético para os pacientes operados.

A técnica utilizada na cirurgia de Theo é inovadora: o desfibrilador fica posicionado do lado direito do tronco atrás das costelas, com uma sobra de fios que esticarão conforme o crescimento da criança. Nor­­­malmente, na infância o aparelho é posicionado no lado esquerdo da barriga, abaixo do coração. A técnica deixa o aparelho mais protegido de eventuais danos e resulta em menos de 0,5% de chance de fratura dos eletrodos, o que possibilita a liberação para a prática de esportes. “Ele vai brincar, vai correr, vai andar de bicicleta, skate e vai ter uma vida normal sem risco de romper os fios”, diz Lânia. Em cerca de 15 anos, será necessária a troca do aparelho, da bateria e dos fios, que poderão então ser posicionados à maneira clássica, próximo ao coração.

Segundo o Ministério da Saúde (MS), foram realizadas, em 2009, 1.189 cirurgias de implante de desfibrilador no país, enquanto nos Estados Unidos são 20 mil implantes por ano. No Brasil, a cirurgia, que custa cerca de R$ 35 mil, está incluída na cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os adultos, a fila é extensa: para cada 64 pessoas que necessitam do implante, uma consegue ser submetida ao procedimento. Para crianças a espera pode ser menor.

Alerta constante para arritmias

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a maior causa de mortalidade no mundo são as doenças cardiovasculares. No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac), todos os anos, 300 mil pessoas morrem vítimas de arritmias cardíacas graves e morte súbita. “Centenas de mutações genéticas podem causar alteração nos canais que geram arritmia. Nunca se sabe quando ela vai acontecer: pode ser com 90 anos ou com um ano de vida”, diz Lânia Romanzin Xavier, eletrofisiologista pediátrica do Pequeno Príncipe.

Na infância, os dados são escassos, principalmente em relação ao primeiro ano de vida, mas, segundo Lânia, 10% das mortes pediátricas ocorrem devido a arritmias cardíacas. Uma possível prevenção é ficar atento a sinais como desmaios. “É o sintoma que nos avisa que pode ser arritmia grave”, diz a médica. O segundo indicativo é o histórico familiar.”

Deixo aqui um abraço ao Hugo Campos que dos EUA, nos deu a conhecer esta magnifíca história.

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8 responses

11 11 2010
Fernando

Há bons impulsos que nos fazem acreditar na vida. Esta atitude foi sem dúvida um marco de vida que deve ser difundido por todos. Afinal, não fazer nada é uma opção vazia, agir e tomar iniciativa, contra tudo e todos, ajuda a ultrapassar a dor e a sorrir para a vida cada vez mais difícil de gerir.
Thierry, obrigado pela tua constante presença e cuidada participação neste mundo virtual. Um grande abraço deste teu amigo.

15 11 2010
Murilo Torres

Gostaria de parabenizar pelo seu blog e agradecer que nosso matéria realmente faça parte dele e não é apenas mais um caso de morte subita!!
Estamos muito felizes em saber o que o Theo tem e podemos tratar e agora com esta descoberta também poderei viver em paz, pois o próximo serei eu a receber meu desfibrilador. A própria Dra. Lania diagnosticou que tenho a Sindrome de Brugada. Assim como provavelmente meu pai, que faleceu com 60 anos dormindo e assim como ele meu avó, com 40 anos.
Voltarei aqui para dar mais notícias assim que sair do hospital.
Não tenho como deixar de agradecer minha esposa por ter salvo a vida de meu filho e agora salvará a minha!
Grande abraço
Murilo Torres
41 8703-6301

22 11 2010
Hugo Campos

Thierry,
Parabéns pelo excelente trabalho de conscientização a respeito da Síndrome Brugada e educação a respeito do CDI. Estamos unidos nesta missão global.

Sr. Murilo, conheço diversos especialistas clínicos da Medtronic aqui nos EUA e mostrei a eles a radiografia que consegui do vídeo. Estão de acordo quando digo que o Theo está em boas mãos. (Radiografia: http://on.fb.me/aQQPMO)

Um grande abraço da Califórnia.
Hugo Campos

22 11 2010
Thierry Martins

Caro Hugo,

Agradeço as tuas palavras. É sem dúvida um trabalho gratificante, mas uma missão difícil. O teu esforço no “ICD User Group” é deveras inspirador, e mostra aquilo que se pode fazer quando há uma grande vontade de ajudar…

Um grande abraço do reino dos Algarves

26 11 2010
aparelho ortodontico transparente

Hi, I’ve found this site while searching bing and decided to read your post.I have to agree that its a great source of information.Sorry for not writting in portuguese, but it is not my first language. Anyways, thanks for this share of information.Cheers, ABCDE

2 03 2011
Vanessa Paula Nascimbene

Eu Vanessa, venho exclarecer que no dia 10/11/1992 em Guarulhos´, Hospital Stella Maris, Eu coloquei o marcapasso com apenas 24 horas de vida, ficando então relatado que não foi esta criança o primeiro caso no Brasil. E sim eu.Qualquer duvida entrar em contato neste email.

2 03 2011
Hugo Campos

Vanessa, acredito se tratar do primeiro desfibrilador implantável (CDI) em um bebê de 8 meses, não de marcapasso. Veja no link abaixo, o raio-x do tórax da criança. Há de concordar com o elevado grau de complexidade de um implante como esse (incluindo a necessidade de cabo eletrodo endocárdico).

5 04 2011
Ricardo Berbetz

A Equipe da Dra Lania é a melhor…. Eu sou suspeito pra falar pois sou paciente dela, apesar de ter mais de 18 anos, ainda vou no Pequeno Principe. Fiz o meu implante de CDI com a equipe tambem.

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