O que é a Síndrome de Brugada? (resumo)

16 05 2011

Até o final da década de 1980, quando uma pessoa morria subitamente, logo diziam que tinha sofrido um infarto. Com o avanço das pesquisas genéticas, percebeu-se que muitos desses eventos eram provocados por anormalidades genéticas – presentes no DNA do indivíduo. Com essa informação, novas doenças causadoras de morte súbita foram descobertas, dentre elas a Síndrome de Brugada.

A doença é responsável por até 20% dos eventos de morte cardíaca súbita e ocorre de oito a 10 vezes mais em homens do que em mulheres. Na média global, atinge cinco a cada 10 mil habitantes do planeta. Por razão desconhecida, o número de casos muda em determinadas regiões.

A síndrome acontece por uma disfunção dos canais iônicos cardíacos, responsáveis pela condução do estímulo elétrico, ou seja, o impulso cardíaco. Essa mutação pode causar uma arritmia ventricular fatal e levar o indivíduo à morte inesperadamente.

Manifestações clínicas

A Síndrome de Brugada é praticamente assintomática (não apresenta sintomas), embora de 17 a 42% dos indivíduos com a doença sofram com desmaios.

Os episódios de morte cardíaca súbita geralmente acontecem durante o sono ou em um momento de repouso.

O diagnóstico

O diagnóstico é difícil de ser realizado. Muitas vezes, pacientes que têm a doença fazem exames como ecocardiograma, teste ergométrico e raios-X e o resultado não é suficiente para a detecção da síndrome.

A dificuldade se dá porque essa anormalidade acontece em nível molecular e só pode ser detectada por meio de algumas “pistas” e da junção de informações.

A primeira suspeita para o diagnóstico de Síndrome de Brugada é uma alteração na onda de batimentos cardíacos do indivíduo, detectada no eletrocardiograma. Se o paciente tiver essa alteração, precisa de mais uma das condições abaixo para que o diagnóstico seja efetivado. São elas:

  • Histórico familiar: morte súbita, na família, de indivíduo com menos de 45 anos ou alteração eletrocardiográfica típica;
  • Desmaios ou respiração agônica noturna;
  • Arritmia grave já detectada anteriormente.

Um recurso que pode auxiliar no diagnóstico é o teste farmacológico com Ajmalina. A substância é injetada no indivíduo e bloqueia os canais de sódio do coração, induzindo a anormalidade, que fica mais evidente em quem tem o problema.

Tratamento

Os medicamentos antiarrítmicos não protegem o indivíduo da morte súbita. Por isso, o implante de um cardioversor-desfibrilador – que dá um choque elétrico no coração caso ele sofra uma parada cardíaca – é uma forma de terapia eficaz e capaz de salvar o paciente em caso de um evento cardíaco grave.

Fonte: www.einstein.br

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Consulta de CDI

30 01 2011

Na passada quinta-feira fui a mais uma das consultas que temos de fazer a cada 6 meses. Estas consultas têm essencialmente como função verificar o estado do CDI, aferindo o estado da bateria e se houve alguma ocorrência.

De acordo com o que foi analisado, se o CDI não for “utilizado”, a bateria apresenta um tempo esperado de duração cerca de 11 anos. Somando com os 2 anos desde a implantação, totaliza cerca de 13 anos de durabilidade. É de facto espantoso o salto que esta tecnologia deu em apenas 7 anos. Ora vejam só. O meu 1º CDI foi implantado em 2002 e tinha um tempo estimado de duração de cerca de 5 anos. Durou 6 anos e nove meses, mesmo com a quantidade enorme de terapias que fez. A avaliar por esta comparação, daqui a 5 anos, os CDI da próxima geração, terão certamente a duração de uma Vida. Incrível… (Pensem só nos transtornos que nos irá evitar)

Nesta consulta, foi-me ainda entregue um equipamento que permite a transmissão de dados do CDI para o hospital. Estes dados, são só dados electrónicos, ou seja, relativas ao estado do CDI. Como a lei de protecção de dados é cega, fica por terra as maiores potencialidades do equipamento, que era do médico, no hospital, poder fazer uma consulta à distância.

O sistema Latitude, permite ainda, via Bluetooth, juntar uma balança e um medidor de tensão arterial, possibilitando enviar esses dados todos para o médico. É de facto espantoso.

Este sistema, embora recente cá entre nós, já é usado à algum tempo no Brasil através da Biotronic.





13 de Junho – Dia Mundial das Arritmias

9 06 2009

Arritmia

No âmbito da campanha Bate Bate Coração e em simultâneo com outras organizações internacionais, irá-se comemorar no dia 13 de Junho o Dia Mundial das Arritmias.  Serão organizadas acções esclarecimento nos principais hospitais de todo o país, com a colocação de bancas onde se distribuirá material informativo sobre as arritmias cardíacas.

ArritmiasNa opinião do coordenador nacional da campanha, Dr Carlos Morais, “ esta iniciativa é um dos eventos mais importantes da campanha, pelo seu poder mediático e como contributo significativo para uma ampla discussão na sociedade sobre o tema das arritmias cardíacas, aumentando o conhecimento geral dos portugueses sobre este tema e assim facilitar o acesso a diagnósticos e terapêuticas.”

Se tem dúvidas ou questões relacionadas com arritmias, este é o momento ideal. Visite um dos hospitais aderentes entre as 10 e as 18 horas, e encontrará profissionais de saúde capazes de esclarecer e informar.

Hospitais aderentes: Faro, Setúbal, Sta Marta, Sta Maria, Fernando Fonseca, Santarém, Aveiro, Coimbra, Sto António e Braga.





Um Sucesso – Encontro Bate, Bate Coração – Faro

23 05 2009

 

DSC_6020Foi sem dúvida um grande sucesso, o encontro Bate, Bate Coração que decorreu no Hospital Distrital de Faro. A adesão foi de tal forma grande e sem precedentes, que a sala do anfiteatro estava lotada. Penso que entre pessoas portadoras de Pacemakers e CDI’s, familiares e profissionais de saúde, devem ter estado perto de 100 pessoas.

Comprova-se assim, que o impacto que a campanha Bate, Bate Coração tem vindo a ter na população portuguesa está a crescer, no entanto muito há a fazer para que se consiga chegar a um maior número de pessoas esta informação.

A sessão foi aberta pelo Dr Rui Candeias, Cardiologista do Hospital anfitrião, que fez uma apresentação admirável sobre a história e desenvolvimento dos dispositivos implantáveis, abordando desde os primórdios da investigação até à actualidade. Pode-se ver como foram realizadas as primeiras experiências com estímulos eléctricos em animais e como estas evoluíram até ao registo dos primeiros electrocardiogramas.

Seguiu-se a Enf. Patrícia do Hospital Prof. Dr Fernando da Fonseca (Amadora/Sintra), que fez uma abordagem sobre os mitos de uma vida saudável, enquanto portadores de pacemaker’s e CDI’s. Evidenciou ainda a forma como no Hosp. Amadora-Sintra se faz o acompanhamento pré e pós-operatório dos portadores destes dispositivos.

Aceitando o convite endereçado pelo Dr Carlos Morais, coordenador da campanha, coube-me a mim dar continuidade ao evento, partilhando a minha experiência enquanto portador de CDI. Como nunca tinha falado em público sobre este assunto, iniciei o meu discurso com o auxilio de um pequeno texto que havia preparado previamente, só para evitar esquecer alguns dos pontos.

Com um pouco de nervosismo miudinho, lá comecei a relatar a minha pequena história de vida. Nada fazia crer que a meio do relato acabaria por me comover, incluindo a plateia, com a descrição do meu primeiro episódio. Tive que fazer várias pausas para conseguir articular as letras e formar frases. Foi uma emoção. Nunca pensei que ao fim destes anos, e depois de ter falado tantas vezes sobre este assunto, tal pudesse acontecer!

A plateia foi formidável ao compreender e a colaborar colocando questões. Foi uma grande e enriquecedora experiência. Houve ainda oportunidade para se debater a importância da criação de grupos de apoio, como forma de ajudar os portadores destes dispositivos a ultrapassarem mais rapidamente o impacto psicológico, que não é nada pacífico.

Para finalizar o encontro, Dr Carlos Morais Cardiologista do Hosp. Amadora-Sintra, acentuou entre muitos aspectos, a necessidade de dar maior atenção ao coração. Referiu ainda que a principal causa de morte em Portugal são as doenças cardiovasculares, evidenciando que é necessário dar importância a sintomas que por vezes temos e não lhes damos a devida atenção, como uma pequena dor no peito, arritmia, palpitação, desmaio, etc. Concluiu com a apresentação dos próximos eventos, dos quais salientou o jantar/concerto com o Carlos do Carmo, encontro/marcha a ter lugar no Parque das Nações no dia 6 de Junho e o dia 13 de Junho como o dia nacional do Ritmo Cardíaco, onde vão haver bancas pelos os Hospitais a sensibilizar para os problemas do foro arrítmico.

O encontro terminou com um pequeno lanche, o que permitiu que todos os participantes podessem abordarem os oradores colocando questões. Algumas pessoas vieram ter comigo, felicitando-me pela coragem e pedirem para se avançar com os grupos de apoio, por considerarem muito importante.

Ver: Noticias Hosp. Faro 





1º Encontro Nacional de Portadores de CDI´s

2 05 2009

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No âmbito da campanha  “Bate, bate coração” decorreu na típica aldeia de Alte, em Loulé, o 1º Encontro Nacional de Portadores de Cardioversores-Desfibrilhadores Implantáveis (CDI´s).

A iniciativa teve como principal finalidade promover a troca de experiências, sentimentos e preocupações entre pessoas que são portadores destes dispositivos.

Os participantes, oriundos da grande Lisboa e Algarve, foramdsc_5854a unânimes ao dizer que este 1º encontro foi um grande sucesso. Tiveram aqui a oportunidade de falar pela 1ª vez de certos assuntos que lhes eram tabu, uma vez que haviam no encontro pessoas que compreendiam o que diziam por já terem passado pela mesma situação.

Embora com um reduzido número de participantes, o que se percebe pelo curto período de divulgação e pelo pequeno número de pessoas com CDI’s em Portugal, o encontro ocupou toda a tarde, tendo terminado já com o pôr de Sol a decorrer. Durante o encontro, houve ainda oportunidade de saborear alguns pratos bem deliciosos, leitão no espeto, caracóis, bolos caseiros, tudo isto no maravilhoso parque de merendas da Fonte Pequena, bem junto à Ribeira de Alte, repleta de peixes e de patos. 

Foram muitos os temas abordados. Substituição do CDI, morte súbita, dsc_5856barritmias cardíacas, palpitações, desmaios, fadiga, esforço físico, stress, tonturas, ansiedade, entre outros. Dentro de todos, o tema mais discutido e que levantou alguma preocupação foi sem dúvida os cuidados hospitalares. Talvez por falta de profissionais de saúde nos hospitais, o certo é que as pessoas portadoras de CDI, antes e depois da intervenção cirúrgica, sentem necessidade de algum apoio, e muitas das vezes, só na hora é que são dadas informações acerca dos procedimentos. Também a forma como são transmitidos certos dados clínicos merece algum cuidado pela parte destes profissionais.

No âmbito desta temática foram igualmente discutidas diversas técnicas utilizadas para ajudar a ultrapassar e controlar parte do problema. Para Francisco, a maior preocupação é saber controlar a ansiedade. Ioga, meditação, são algumas das técnicas utilizadas por Rita Frazão.

Esteve presente também uma aluna do curso de enfermagem, uma das autoras do artigo publicado no Boletim Informativo nº8 da APPPC, que nos esclareceu sobre alguns aspectos relacionados com o tema abordado.

A satisfação foi a impressão final, e os resultados não poderiam ter sido melhores. Foi para todos nós uma tarde muito positiva. A partilha de experiências foi de facto muito importante. Saímos todos com grandes sorrisos e com a vontade de fazer mais encontros deste tipo.

O encontro terminou com um passeio pelas ruas da aldeia, onde se observou as características da aldeia serrana, típica do interior algarvio e bem longe da confusão do litoral.





Na conversa com Dr. Daniel Bonhorst

12 04 2009

 

Na continuidade de recolha e partilha de informações e esclarecimentos relacionadas com o sindroma de Brugada, coloquei algumas questões ao Dr Daniel Bonhorst, presidente do IPRC.

 

O assunto não é tabu, mas o desconhecimento ainda impera, o que levou a que algumas questões não tivessem uma resposta directa e concreta, como seria desejado.

 

Um dos pontos da nossa conversa passou por saber o número de pessoas em Portugal com síndrome de Brugada:

A resposta foi: “… ninguém sabe qual o número de pessoas em Portugal com síndrome de Brugada. Não só a situação não é ainda suficientemente conhecida pelos clínicos para as referenciarem a centros especializados como estes não têm reportado os casos que seguem e tratam. Não há estudos epidemiológicos nem estatísticas oficiais.”

 

Quanto às formas de tratamento, “… o único eficaz é o CDI, girando toda a discussão entre os especialistas sobre quais os casos em que está indicado. O grande problema são os indivíduos que têm o ECG típico mas nunca tiveram sintomas. A atitude mais comum é não fazer tratamento a não ser que haja casos de morte súbita em familiares próximos. Os estudos genéticos podem ajudar mas têm limitações.”

 

E a Quinidina? “… alguns estudos mostraram que a quinidina pode prevenir eficazmente a indução de fibrilhação ventricular e poderá também suprimir as arritmias espontâneas, podendo vir a ser uma alternativa ao CDI numa determinada proporção de doentes com S. de Brugada. Faltam no entanto mais estudos, nomeadamente comparativos com o CDI .”

 

Falando acerca do método de diagnóstico, este “… baseia-se num padrão típico electrocardiográfico que por vezes não está presente tendo de ser desmascarado com a utilização de drogas injectáveis (ajmalina ou flecainide). Os outros passos diagnósticos destinam-se a avaliar o risco (sintomas como síncope, antecedentes de taquicardias ventriculares ou episódios anteriores de paragem cardíaca ressuscitada; estudo electrofisiológico para se verificar se é possível induzir uma taquicardia, estudos genéticos).

 

Baseando-se o diagnóstico no ECG é evidente que o rastreio da doença deverá ser feito através da realização desse exame a populações o mais vastas possíveis. O rastreio é obrigatório em familiares de doentes com Brugada.”

 

Em nome de todos os utilizadores deste blog, quero agradecer ao Dr Daniel Bonhorst, o tempo que dedicou a responder às questões e o apoio dado na revisão do artigo sobre sindrome de Brugada.

 

Dr Daniel Bonhorst

  

 

Dr Daniel Bonhorst.

Especialista em cardiologia. Presidente do Instituto Português do Ritmo Cardíaco desde Março 2005. Foi presidente da Associação Portuguesa de Arritmologia Pacing e Electrofisiologia (APAPE) no biénio de 2001-2003.

 





1º Encontro – Bate, Bate Coração

29 03 2009

 

Na passada Sexta-feira, dia 27 de Março decorreu o 1° encontro da campanha Bate, Bate Coração promovido pelo Instituto Português do Ritmo Cardíaco (IPRC), a Associação Portuguesa de Arritmologia, Pacing e Electrofisiologia (APAPE) e a Associação Portuguesa de Portadores de Pacemakers e CDI´s (APPPC).

 

O encontro teve lugar na fabulosa Quinta das Lágrimas em Coimbra, e contou com a participação de quase meia centena de portadores de Pacemackers, CDI’s e familiares.

 

Depois de uma sessão de fotos, seguiu-se um passeio pela Quinta. A abertura do evento foi feita pelo presidente da APPPC, António Gomes, onde apresentou os objectivos do encontro e da Associação por si presidida.

 

De seguida, o Enf. Luis Barata do Hosp. Amadora-Sintra falou-nos dos mitos de uma vida saudável, enquanto portadores de pacemaker’s e CDI’s. Evidenciou ainda a forma como no Hosp. Amadora-Sintra se faz o acompanhamento pré e pós-operatório dos pacientes portadores destes dispositivos. Saliente-se que, por vezes a recuperação psicológica é mais demorada que a física, o que cria dificuldades ao modo de vida, completamente desnecessárias, se houvesse um acompanhamento mais próximo.

 

O encontro prosseguiu com a apresentação do Dr Carlos Morais, Cardiologista do Hosp. Amadora-Sintra, onde referenciou entre muitos aspectos, a necessidade de dar maior atenção a este músculo chamado coração. Referiu ainda que a principal causa de morte em Portugal são as doenças cardiovasculares, e consequentemente o seu desconhecimento. Evidenciou que é necessário dar importância a sintomas que por vezes temos e não lhes damos a devida atenção, como uma pequena dor no peito, arritmia, palpitação, desmaio, etc.

 

Concluiu com a apresentação dos próximos eventos e encontros, dos quais realço o encontro/marcha a ter lugar no Parque das Nações no dia 6 de Junho.

 

Terminou-se o encontro com um pequeno lanche, e onde foi possível comer uns deliciosos biscoitos em forma de coração e Pacemaker feitos gentilmente pela sogra do Dr Carlos Morais.

 

No final foi-me possível trocar algumas impressões com os oradores Enfº Luís Barata e Dr Carlos Morais, aos quais me disponibilizei para ajudar a divulgar a campanha Bate, Bate Coração.

 

Tive ainda oportunidade de falar com o Eng. Carlos Alves, autor do blog Amigos do Coração, a simpática Andreia Garcia, Assessora de comunicação da Hill & Knowlton, e com o Sr António Gomes, com o qual partilhei algumas ideias sobre a associaçao. 

Dr Carlos Morais

Dr Carlos Morais